Jô investigado por "preconceito"

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro informou nesta segunda-feira que investiga o “Programa do Jô”, exibido depois do “Jornal da Globo” pela TV Globo, por suposta manifestação de preconceito.

Eles declaram que nessa entrevista onde o Jô entrevista Ruy Morais, que pesquisou sobre a cultura de algumas tribos angolanas. Mais especificamente, a entrevista gira em torno da vida sexual das mulheres dessa tribo.

Agora me vem a pergunta: que preconceito, cara-pálida? Tudo que eu vi ali foram fatos sobre essas culturas, explicações sobre a vida sexual delas (que costuma começar entre os 7 e os 8 anos) e piadas sobre isso. Piadas, apenas isso, entenderam? Piadas!!!

Agora tudo que for engraçado, se tiver relação a um negro (desculpa, termo politicamente incorreto, o correto nesse caso seria afro-africano) é preconceito? Estranho imaginar que se fosse um estudo sobre os hábitos sexuais na Holanda não seria preconceito, mesmo se tivesse piadas muito mais pesadas. Afinal, eles são brancos.

O que vocês estão insinuando senhores autoritários (digo, autoridades)? Que os negros que assistirem isso não têm senso de humor? Que o fato de a cultura deles ter aspecto que sob o ponto de vista, um ponto de vista da cultura brasileira, sejam engraçados, isso é preconceito?

Já vi programas de televisão zoando com tudo, e com todos. Independente de sexo, cor, credo, preferência sexual. E só nesse caso é preconceito?

Sinto muito, mas acho que preconceituosos são vocês, que tratam os negros como se eles precisassem desse tipo de proteção. No Brasil, o preconceito racial existe mais fortemente como um preconceito social. A discriminação que o negro sofre no nosso país vem mais do fato de que no Brasil é mais comum ver um negro pobre, criado em favela, do que um negro rico. Eles são inteligentes, sabem se defender em caso de ofensa, e têm muito senso de humor. Muitos amigos meus negros já me contaram centenas de piadas “de preto” (como se diz por aí). E nunca vi nenhum deles se ofender quando riam dessas piadas.

Achei de uma profunda falta de respeito os senhores taxarem dessa forma a cultura angolana. Afinal, se é preconceito falar dessa cultura, os senhores devem achar que os fatos estão sendo deturpados. E se os senhores acham isso, é porque consideraram essa cultura deturpada. E taxar a cultura angolana de deturpada é preconceito. É apenas uma realidade diferente da nossa, e que merece respeito.

Não achei a entrevista preconceituosa. Não vi nenhuma frase que eu julgasse preconceituosa. E me declaro como não-preconceituoso (quem me conhece sabe que é verdade).

Otoridades, vão trabalhar em vez de ficar tentando se mostrar. Obrigado.

(Eu sei, eu sei. Esse post ficou parecendo do Carlos House, mas nem falei com ele a respeito. Se tivesse dedo dele aqui, teria milhões de palavras de baixo calão)

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Sobre esse Artigo

Data
November 28th, 2007

Autor
Geradori

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